sábado, 19 de novembro de 2011

Walt Whitman

Café Mafalda, Curitiba


SONG OF MYSELF


3
I have heard what the talkers were talking, the talk of the
beginning and the end,
But I do not talk of the beginning or the end.

There was never any more inception than there is now,
Nor any more youth or age than there is now,
And will never be any more perfection than there is now,
Nor any more heaven or hell than there is now.

Urge and urge and urge,
Always the procreant urge of the world.

Out of the dimness opposite equals advance, always substance and
increase, always sex,
Always a knit of identity, always distinction, always a breed of
life.
To elaborate is no avail, learn'd and unlearn'd feel that it is so.

Sure as the most certain sure, plumb in the uprights, well
entretied, braced in the beams,
Stout as a horse, affectionate, haughty, electrical,
I and this mystery here we stand.

Clear and sweet is my soul, and clear and sweet is all that is not
my soul.

Lack one lacks both, and the unseen is proved by the seen,
Till that becomes unseen and receives proof in its turn.

Showing the best and dividing it from the worst age vexes age,
Knowing the perfect fitness and equanimity of things, while they
discuss I am silent, and go bathe and admire myself.

Welcome is every organ and attribute of me, and of any man hearty
and clean,
Not an inch nor a particle of an inch is vile, and none shall be
less familiar than the rest.

I am satisfied - I see, dance, laugh, sing;
As the hugging and loving bed-fellow sleeps at my side through the
night, and withdraws at the peep of the day with stealthy
tread,
Leaving me baskets cover'd with white towels swelling the house with
their plenty,
Shall I postpone my acceptation and realization and scream at my
eyes,
That they turn from gazing after and down the road,
And forthwith cipher and show me to a cent,
Exactly the value of one and exactly the value of two, and which is
ahead?


CANÇÃO DE MIM MESMO

3
Ouvi de que falavam aqueles que falavam, ouvi o que diziam acerca do princípio e do fim,
Mas eu não falo do princípio nem do fim.

Nunca houve mais princípio do que agora,
Nem mais juventude ou velhice do que agora,
E nunca haverá mais perfeição do que agora,
Nem mais céu ou inferno do que agora.

Ímpeto, ímpeto, ímpeto,
Sempre o ímpeto procriador do mundo.

Das trevas avançam os opostos iguais, sempre a matéria e o incremento, o sexo sempre,
Sempre a malha da identidade, sempre a diferença, sempre a progenitura da vida.

É inútil pormenorizar, os cultos e incultos sabem que assim é.

Mais do que certo, de pé e firme, muito firme, entalhado nas vigas,
Possante como um cavalo, afetuoso, altivo, elétrico,
Aqui estamos, eu e este mistério.

Clara e suave é minha alma, claro e suave tudo o que não é minha alma.

Faltando um, faltam ambos, e o visível é prova do invisível,
Até que se torne invisível e por sua vez seja provado.

Mostrando o melhor e separando-o, a idade afronta a idade,
Conhecendo a perfeita adequação e a justiça das coisas, enquanto discutem fico
em silêncio, vou tomar banho e contemplar-me.

Bem-vindos são todos os meus órgãos e atributos, e os de cada homem puro e são,
Neles não há nada de vil, e nenhum deve ser menos familiar que o outro.

Estou satisfeito - vejo, danço, rio, canto;
Enquanto o meu amado companheiro de leito dorme abraçado a mim pela noite afora, e furtivamente parte ao romper do dia,
Deixando-me cestos cobertos com toalhas brancas que enchem toda a casa,
Deverei adiar a minha aceitação, a minha realização, deverei gritar aos meus olhos,
Que deixem de olhar o caminho,
E de imediato decifrem e me revelem até ao pormenor,
O valor exato de um e o valor exato de dois, e qual vale mais?