sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Acalanto para um Rio


Nada passa, nada expira
O passado é
um rio que dorme
e a memória uma mentira
multiforme.

Dorme do rio as águas
e em meu regaço dormem os dias
dormem
dormem as mágoas
as agonias,
dormem.

Nada passa, nada expira
O passado é 
um rio adormecido
parece morto, mal respira
acorda-o e saltará
num alarido.

Dora, a Cigarra

em O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa