segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cecília Meireles

Abstract Guitar by Paul Brent

GUITARRA

Punhal de prata já eras, 
punhal de prata! 
Nem foste tu que fizeste
a minha mão insensata. 

Vi-te brilhar entre as pedras, 
punhal de prata! 
No cabo flores abertas, 
no gume, a medida exata, 

exata, a medida certa, 
punhal de prata, 
para atravessar-me o peito 
com uma letra e uma data. 

A maior pena que eu tenho, 
punhal de prata, 
não é de me ver morrendo, 
mas de saber quem me mata.