Em visita recente ao blog Acontecimentos, de Antonio Cicero, descobri o seguinte poema, de Drummond, cujos versos dedico à memória de Vilma Maria Montarroyos Santos (1937-2005), minha mãe-avó; hoje seria seu 73º aniversário:
CARTA
Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesma envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a tua menina, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou viva, e que não sonho.
Carlos Drummond de Andrade
"[...] Simplesmente, não me habituei a ver morrer."
Albert Camus
Ane , adorei sua homenagem. Lembrei-me muito da minha mãe- avó que apesar de não ter partido vive profundamente perdida na evasão do Alzheimer.A saudade aperta quando não ouço mais as cantigas de roda e suas histórias folclóricas!
ResponderExcluirParabéns!!
Obrigada, Su. Apesar da saudade infinita, ainda vive a lembrança e, no seu caso, a companhia.
ResponderExcluirBeijo,
Ane