sábado, 20 de fevereiro de 2010

É preciso escrever...


É preciso escrever. Faz uns dois dias que essa frase não sai da minha cabeça. É preciso escrever. Não, digitar não. Escrever. Desabafar naquele diário... Sabe? Desde a adolescência, minha terapia sempre foi escrever. As letras transformavam-se em remédio: palavras. Palavras que curavam a alma e os sentidos. De dentro para fora, quando eu as escrevia. De fora para dentro, quando eu as lia. É preciso escrever. Não importa se as palavras estão dentro ou fora, o importante é que curam. Contudo, confesso que estou doente... Não pela falta das palavras que estão fora (de mim), mas pelas quais estão dentro e não consigo expressar. Pelo veneno das não-palavras: letras frustradas, isoladas, desorganizadas, desestruturadas. Às vezes, uma palavra pode ser a chave que abre todas as portas. Porém, também pode ser a fechadura que encerra toda a destruição. É preciso escrever. Escrever para curar os sentidos e a alma. É urgente desvelar a palavra que teima em permanecer na escuridão. Lá, ela pode fingir que não existe (ninguém a vê); lá, ela pode desmembrar-se em letras; lá, ela pode perder o sentido. Aqui, não. Aqui, ela ressurge como um sol escaldante: queima, machuca, fere. Não ouso escrevê-la, não posso, não consigo, não quero... Mas é preciso escrever...