sábado, 27 de março de 2010

O beijo das palavras

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

3 comentários:

  1. Um dos maiores poetas de sempre, da língua portuguesa... Uma bela escolha. :)
    Recomendo também Fernando Pessoa e Sophya de Mello Breyner Andresen (embora o meu preferido seja Bocage, o desbocado, com os seus magníficos poemas satíricos que deleitam qualquer um...) =)

    Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
    Por cuja escuridão suspiro há tanto!
    Calada testemunha do meu pranto,
    De meus desgostos secretária antiga!

    Pois manda Amor que a ti somente os diga
    Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
    Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
    Dorme a cruel que a delirar me obriga.

    E vós, ó cortesãos da escuridade,
    Fantasmas vagos, mochos piadores,
    Inimigos, como eu, da claridade!

    Em bandos acudi aos meus clamores;
    Quero a vossa medonha sociedade,
    Quero fartar meu coração de horrores.


    ;)

    Um beijo

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  2. Olá, Grave! :)

    Concordo, mas o meu preferido é Fernando Pessoa e seus heterônimos. Eles são sempre bem-vindos aqui, assim como você. ^^

    Agradeço o comentário e o poema maravilhoso!

    Beijo,
    Ane

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  3. Não é preciso agradecer. :)

    Cada vez é mais difícil encontrar bons blogs, e pessoas simpáticas por detrás deles... E aqui, ambos se conjugam de uma forma perfeita. ;)

    Beijo

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