quinta-feira, 8 de abril de 2010

As estações de um coração de poeta

O poema a seguir é de autoria de um poeta cujo trabalho estou conhecendo e admirando, a cada dia, mais. Seja bem-vindo ao Lacunas do Tempo, Caju.


Estações e Corações


Com tantos aromas e cores,

é clara a estação das flores.

Todos estavam na espera

para ouvir os passarinhos

cantando para a primavera,

exceto eu, que sou sozinho.

— Um coração que vive em pranto,

sem perfume, sem cor, sem canto.


Eu vejo todos mais contentes

quando o clima fica mais quente.

No brilho intenso do sol,

todos aproveitam o mar,

a piscina, o futebol,

menos eu, que não sei amar.

— Um coração que não quer luz,

que, lentamente, se reduz.


As árvores mudam de cor

e todos mudam de humor.

Os homens se rendem ao sono,

muitos querem dormir mais cedo,

enfeitiçados pelo outono,

menos eu, que vivo com medo.

— Um coração que se assombra

com o vulto da própria sombra.


Todos querem se aquecer

contra o frio que faz tremer.

A chuva purifica a vida,

que sempre vai buscar alguém

para se manter aquecida,

menos eu, sempre sem ninguém.

— Um coração só e vazio

suporta qualquer tempo frio.


Um ano, quatro estações,

um homem, quatro corações.

Tudo termina e recomeça

de forma simples e direta,

devagar e sem muita pressa,

exceto eu, que sou poeta.

— Um coração de poesia,

escravo da melancolia.