sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sylvia Plath

ARIEL

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.

God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees!...The furrow

Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,

Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks...

Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else

Hauls me through air...
Thighs, hair;
Flakes from my heels.

White
Godiva, I unpeel...
Dead hands, dead stringencies.

And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry

Melts in the wall.
And I
Am the arrow,

The dew that flies,
Suicidal, at one with the drive
Into the red

Eye, the cauldron of morning.


ARIEL

Estancamento no escuro.

E então o fluir azul e insubstancial

De montanha e distância.

Leoa do Senhor como nos unimos

Eixo de calcanhares e joelhos!... O sulco

Afunda e passa, irmão

Do arco tenso

Do pescoço que não consigo dobrar.

Sementes

De olhos negros lançam escuros

Anzóis...

Negro, doce sangue na boca,

Sombra,

Um outro vôo

Me arrasta pelo ar...

Coxas, pêlos;

Escamas e calcanhares.


Branca

Godiva, descasco

Mãos mortas, asperezas mortas.

E então

Ondulo como trigo, um brilho de mares.

O grito da criança

Escorre pela parede.

E eu

Sou a flecha,

O orvalho que voa,

Suicida, unido com o impulso

Dentro do olho

Vermelho, caldeirão da manhã.

(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César)