sexta-feira, 30 de julho de 2010

Jorge Luis Borges

AS COISAS

A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.

3 comentários:

  1. É sempre um prazer ler suas escolhas.

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  2. Ana Paula:

    obrigada, querida! é sempre um prazer ler teus comentários! =)

    Caju:

    pois é! bote bom nisso! ;)

    Beijinhos,
    Ane

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