domingo, 4 de abril de 2010

O espelho


Do fundo remoto do corredor, o espelho nos espreitava.
Descobrimos (na alta noite essa descoberta é inevitável)
que os espelhos têm algo de monstruoso.

Jorge Luis Borges




Possuo memórias personificadas em imagens
Sou teu reflexo perplexo, silenciado...
A desenhar histórias convertidas em miragens

Tu não contemplas a ti mesmo, mas a mim
Ao espiar teu olhar, penetro em pensamentos...
Caminhos sem fim

Ontem, esquecidos
Hoje, vazios...
Amanhã, perdidos

Mas não sou teu algoz!
Sou apenas testemunha deste veneno a fustigar-te n'alma...
Feroz!

Sou o retrato do abismo que carregas dentro de ti.


(Texto escrito para a Fábrica de Letras)