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quarta-feira, 2 de junho de 2010

AUSÊNCIA

a Guilherme Montarroyos


Teu olhar de

oceano vazio

fere.

Mas tua ausência,

mais vasta

vai além da ilha

que vejo em ti:

lâmina a retalhar

a pele

de minha alma.

Sinto um corte

a cada dia

quando procuro

aquele

mar escasso

em teus olhos

e encontro

teu quarto

completamente

vazio.


Ane Montarroyos

(Texto escrito para a Fábrica de Letras)


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Doce sofrimento

Desconheço o que de mim transborda.
Tampouco sei dar voz à angústia
que me perpassa a alma
tal qual andarilho sem norte.
Esperar é um caminho seguro,
porém, demasiadamente árduo.
Pois o tempo, ora traiçoeiro ora aliado,
deixa-me nas mãos da sorte.
Desesperar é apenas um passo
em falso, mas...
por que não dar asas ao sentimento
e dissipar todo o tormento?
ou silenciar o fogo que invade
e desnorteia o pensamento?
É emitida na linguagem do olhar
a paixão que irradia
através deste doce sofrimento.
(Texto escrito para a Fábrica de Letras)

domingo, 4 de abril de 2010

O espelho


Do fundo remoto do corredor, o espelho nos espreitava.
Descobrimos (na alta noite essa descoberta é inevitável)
que os espelhos têm algo de monstruoso.

Jorge Luis Borges




Possuo memórias personificadas em imagens
Sou teu reflexo perplexo, silenciado...
A desenhar histórias convertidas em miragens

Tu não contemplas a ti mesmo, mas a mim
Ao espiar teu olhar, penetro em pensamentos...
Caminhos sem fim

Ontem, esquecidos
Hoje, vazios...
Amanhã, perdidos

Mas não sou teu algoz!
Sou apenas testemunha deste veneno a fustigar-te n'alma...
Feroz!

Sou o retrato do abismo que carregas dentro de ti.


(Texto escrito para a Fábrica de Letras)

sexta-feira, 26 de março de 2010

As vicissitudes do silêncio

Sol suntuoso
Sintonia simbiótica
Sentimento sublime

Saudade secreta
Sede saciada
Sorriso satisfeito

Suspiro sutil
Sono suave
Sonho sereno

Silêncio selado

(Texto escrito para o desafio de março da Fábrica de Letras)