AS COISAS
A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
as lacunas do tempo dançam ao encontro de linguagens, literatura, arte e acolhem todas e todos que passam por aqui
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
O espelho
Do fundo remoto do corredor, o espelho nos espreitava.
Descobrimos (na alta noite essa descoberta é inevitável)
que os espelhos têm algo de monstruoso.
Jorge Luis Borges
Possuo memórias personificadas em imagens
Sou teu reflexo perplexo, silenciado...
A desenhar histórias convertidas em miragens
Tu não contemplas a ti mesmo, mas a mim
Ao espiar teu olhar, penetro em pensamentos...
Caminhos sem fim
Ontem, esquecidos
Hoje, vazios...
Amanhã, perdidos
Mas não sou teu algoz!
Sou apenas testemunha deste veneno a fustigar-te n'alma...
Feroz!
Sou o retrato do abismo que carregas dentro de ti.
Sou teu reflexo perplexo, silenciado...
A desenhar histórias convertidas em miragens
Tu não contemplas a ti mesmo, mas a mim
Ao espiar teu olhar, penetro em pensamentos...
Caminhos sem fim
Ontem, esquecidos
Hoje, vazios...
Amanhã, perdidos
Mas não sou teu algoz!
Sou apenas testemunha deste veneno a fustigar-te n'alma...
Feroz!
Sou o retrato do abismo que carregas dentro de ti.
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